Pessoas Normais: Uma boa premissa que se perdeu
A proposta de Pessoas Normais é excelente: explorar a dinâmica de poder, o silêncio e as barreiras sociais entre dois jovens na Irlanda. A execução, no entanto, é frustrante.
A incomunicabilidade entre Marianne e Connell, que inicialmente serve como motor narrativo, torna-se uma muleta de roteiro. Os conflitos se arrastam porque os personagens se recusam a ter conversas básicas.
A autora tenta apresentar um retrato cru da juventude moderna, mas o resultado final parece artificial. O leitor é mantido à distância, observando um ciclo de erros e retornos que, em vez de gerar empatia ou reflexão crítica, gera apenas tédio.
O determinismo social que afasta os dois protagonistas no início da história é uma semente boa, mas mal cultivada. Pessoas Normais promete complexidade psicológica, mas entrega apenas uma hesitação sem fim.